Você sabe o que é o PLD e como ele impacta o Mercado Livre de Energia?

Antes de nos aprofundarmos no conceito de PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) é importante relembrarmos, de forma rápida e objetiva, que o Mercado Livre de Energia é um ambiente de negócios onde vendedores e compradores podem negociar energia elétrica voluntariamente, permitindo que empresas industriais, comerciais e de serviços contratem o seu fornecimento de energia elétrica diretamente com empresas geradoras e comercializadoras.

Para se tornar um consumidor livre de energia a empresa consumidora precisa atender a alguns requisitos, os quais poderão ser encontrados no e-book “Entenda o Mercado Livre de Energia”.

O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é o preço calculado pela Câmera de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e utilizado para determinar o preço da energia no curto prazo, mas também é uma das principais referências de preço para os contratos de prazos maiores.

Em decorrência da predominância de usinas hidrelétricas no parque gerador brasileiro, correspondendo a aproximadamente 70% da geração, os modelos matemáticos que são utilizados para o cálculo do PLD objetivam encontrar uma equação ótima de equilíbrio entre a disponibilidade dos reservatórios com a expectativa de uso futuro de fontes de geração térmica, a qual possui custos de geração mais elevados e são despachadas em períodos de baixa hidrologia.

Como o sistema elétrico brasileiro é interligado e dividido em 4 submercados: Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste, o PLD é calculado em cada submercado e valora as operações de compra e venda de energia realizadas no mercado de curto prazo, onde são contabilizadas as diferenças entre a energia contratada e os montantes realmente gerados ou consumidos. Importante saber que o PLD também é limitado a um preço máximo e mínimo, vigentes para cada período de apuração. Para o ano de 2018, os limites máximo e mínimo são R$505,18/MWh e R$40,16/MWh, respectivamente.

Para melhor entendimento, o PLD é calculado semanalmente para os 4 submercados do sistema elétrico, utilizando os modelos computacionais DECOMP (curto prazo) e NEWAVE (longo prazo), e é baseado principalmente no estado atual dos reservatórios, previsão de chuvas, demanda de energia, preço de combustíveis das usinas térmicas, entrada de novos projetos e disponibilidade de transmissão e geração.

Na imagem abaixo é possível visualizar a abertura do PLD nos quatros submercados para cada patamar de carga:

FONTE: CCEE

No gráfico abaixo, também é possível visualizar a série histórica do PLD, a partir de janeiro de 2013 a outubro de 2018, para cada submercado do sistema elétrico:

FONTE: ENGIE

De forma geral, observa-se que todos os submercados apresentam variações semelhantes ao longo do período analisado, à exceção de momentos em que as condições de geração de energia foram mais favoráveis no submercado Norte e menos no submercado Nordeste. Nota-se que, no ano de 2014, todos os submercados registraram valores elevados de PLD, chegando a R$ 822,83/MWh, em virtude de ter sido um ano de hidrologia menos favorável e que ocasionou o uso intenso de usinas termelétricas. Já o ano de 2016 apresentou melhora na conjuntura hidrológica, e assim, registra valores de PLD próximos do limite mínimo estabelecido pela Aneel.

Ainda, um dos fatores que pode influenciar na volatilidade do PLD é a Energia Natural Afluente (ENA), que reflete a capacidade de geração de energia a partir das vazões naturais afluentes nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN). No gráfico abaixo é apresentado comparativo do PLD médio e a ENA do submercado Sudeste/Centro-Oeste, representada a partir do percentual da média histórica de longo termo (MLT).

FONTE: ENGIE

Em relação à ENA, observam-se comportamentos distintos entre os anos de 2014 e 2016. No ano de 2016 houve maior ocorrência de ENAs próximas a média histórica (100% da MLT), e assim, um PLD médio menor, enquanto que em 2014, houve maior ocorrência de ENAs próximas a 60% da MLT, principalmente nos meses do período chuvoso (novembro a março), o que levou ao  acionamento de usinas com custos de operação mais altos, e com isso, o registro de elevados valores de PLD.  Também, nos anos de 2017 e 2018, principalmente para o final do período seco (meses de agosto a outubro), observam-se elevados valores de PLD, chegando ao limite máximo anual estabelecido, em virtude de baixas ENAs registradas.

Com essas informações, perceber-se porque o PLD é tão importante para o Mercado Livre de Energia, influenciando diretamente as contratações de energia, em especial no mercado de curto prazo.

Separamos os seguintes exemplos para facilitar o entendimento:

Um consumidor livre possui um contrato para fornecimento de 5 MWm de energia com uma comercializadora. No mês de outubro de 2018, por por conta da sazonalidade do seu processo produtivo, o consumo de energia foi de 5,5 MWm. Logo, ele teve um déficit de 0,5 MWm, ou seja, consumiu a mais do que tinha contratado. Esse consumidor livre tem duas opções, efetuar uma contratação, diretamente com o gerador ou comercializador, de energia somente para o mês de outubro ou deixar que este déficit seja valorado ao valor do PLD. Com isso, o consumidor terá um débito a pagar à CCEE pela parcela de energia consumida acima da energia contratada.

O exemplo acima pode ser inverso. Se o consumidor livre consumir em determinado mês menos energia do que possui contratado, este, por sua vez, poderá vender este excedente diretamente a uma comercializadora de energia ou deixar que o saldo seja valorado ao PLD. Neste caso, ele terá um crédito a receber da CCEE pela parcela de energia não consumida.

Portanto, no Mercado Livre de Energia é muito importante que o consumidor livre conheça o seu perfil de consumo para definir a estratégia de contratação de energia, possibilitando a compra de volumes de energia adequados ao perfil de consumo e à sazonalidade do seu processo produtivo, reduzindo, desta forma, o risco de exposição ao preço do mercado de curto prazo, PLD.

Sua empresa também poderá optar pela contratação no Mercado Livre de Energia por meio de uma Comercializadora Varejista. A comercialização varejista representa uma prática alternativa que a ENGIE coloca à disposição dos consumidores, oferecendo um modelo de contratação simplificado, onde o cliente se relaciona apenas com a ENGIE, dispensando acordos diretos com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Conheça os produtos da ENGIE para sua empresa e venha também para o Mercado Livre de Energia.

 

Fontes: CCEE, ONS, ENGIE.

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